terça-feira, 27 de abril de 2010

AGOSTINHO DOS SANTOS

Natural de São Paulo, foi crooner de orquestra, trabalhou nas rádios América e Nacional. Em 1955 foi para o Rio de Janeiro cantar com Ângela Maria e Sílvia Teles na Rádio Mairynk Veiga e gravou, no ano seguinte, o LP "Uma Voz e seus Sucessos", com músicas de Tom Jobim e Dolores Duran. Foi intérprete no filme "Orfeu do Carnaval", de Marcel Camus, com trilha sonora de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, que lhe rendeu dois grandes sucessos: "Manhã de Carnaval" (L. Bonfá/ Moraes) e "A Felicidade" (Jobim/ Moraes). Nos anos 50 e 60 ganhou prêmios e atuou como compositor, além de cantor. Participou do Festival de Bossa Nova no Carnegie Hall, em Nova York (1962) com o conjunto de Oscar Castro Neves. Teve uma rápida passagem pelo rock'n'roll nos anos 50, gravando "Até Logo, Jacaré", versão de Julio Nagib para "See You Later, Alligator", de Bill Halley & His Comets. Excursionou pela Europa e morreu num acidente aéreo em Paris. 1960, por causa do filme Orfeu do carnaval, a Bossa Nova chegou aos EUA. O filme acabaria ganhando o Oscar de melhor filme estrangeiro e Luis Bonfá e o cantor Agostinho dos Santos começaram a ficar conhecidos em solo americano.

Mas o primeiro músico da Bossa Nova a ficar conhecido nos EUA foi João Donato que em 59, já que ninguém mais queria saber de chamá-lo para nada, passou a ter dificuldades até para tocar de graça. À medida que evoluía como instrumentista e arranjador, ampliava sua fama de maluco e irresponsável. Faltas, atrasos e excesso de aditivos acabaram tornando-o persona non grata nas casas de show do Rio de Janeiro.
Sem emprego, se mandou para os Estados Unidos a convite do músico Nanai, que o chamou para uma temporada.

Acabou ficando treze anos. Sua estadia na Califórnia marca o início de uma pequena revolução jazzística da qual ele foi participante ativo. Donato simplesmente conseguiu o que nunca pode fazer no Brasil: reincorporar a musicalidade afro-cubana ao jazz. Adotado por "cobras" do gênero latino como os cubanos Tito Puente, Mongo Santamaria e Johny Rodrigues e os americanos Herbbie Mann e Eddie Palmieri, João Donato abriu caminho para que, mais tarde, João Gilberto e Tom Jobim fizessem o enorme sucesso que até hoje perdura no exterior.

No início dos anos 60 músicos americanos do porte de Ella Fitzsgerald e Herbbie Mann em visita ao Rio de Janeiro conheceram a Bossa Nova e logo começaram a divulgá-la nos EUA.

Em 1962, durante o show no Au Bom Gormet, envolvendo Tom Jobim, Vinícius de Moraes, João Gilberto e Os Cariocas, aparece um disc jockey de Washington chamado Felix Grant, naquela noite ele veio falar com o produtor Aloiso Oliveira e perguntou onde se poderiam encontrar os discos das músicas apresentadas no show. Aloiso lhe disse que aquelas músicas eram inéditas e ainda não haviam sido gravadas, mas que ele poderia adquirir outros discos de Bossa Nova, que já se encontravam à venda. Depois disso ele comprou os discos que pode encontrar e voltou para Washington. Lá, iniciou uma divulgação intensa, por intermédio de seu programa, da Bossa Nova.

Passaram por lá músicos como Stan Getz e Charlie Byrd, que imediatamente se interessaram pelo novo estilo que vinha do Brasil, no mesmo ano lançaram o disco que tinha uma versão instrumental de Desafinado, foi um tremendo sucesso e os dois venderam 1 milhão de cópias pelo disco.

No dia 22 de novembro de 1962, foi feito o show inaugural da Bossa Nova nos EUA, e o lugar não podia ter sido mais bem escolhido: o Carnegie Hall, em Nova York.

Quem produziu o show foi o empresário Sydney Fry, na verdade o show foi apenas um pretexto para passar na televisão e vender o disco do show. O show foi uma verdadeira bagunça, todo mundo entrou, os cantores sérios da Bossa Nova, e muita gente que não tinham nada ver com aquilo, por exemplo, a Carmem Costa que entrou com duas maracas, o Caetano Zamataro fazendo passo de escola de samba, e uns caras fazendo batucadinhas atrás. Teve até o músico americano Claude Bernie cantando "I wanna samba, I wanna samba, go, go, go,". Foi uma verdadeira zona. O compositor Carlos Lyra perguntou ao Sidney se uma imensa fila que estava atrás era de gente que queria ver o show e o Sidney falou que era para cantar. Com isso, o Carlos Lyra ficou aborrecido com aquela bagunça toda e não queria mais cantar, e chamou o Tom para eles irem embora. E disse: "Tom, a gente tem de sair fora desse negócio, vamos eu, você, João Gilberto, o Bonfá, o pessoal que veio aqui fazer as coisas direito, vamos embora daqui, não vamos fazer esse show não". E o Tom disse: "Carlinhos, você assinou aquele contrato do Sidney Fry?" Ele disse que sim, e o Tom falou: "Pois é, aqui não se pode fazer isso não, assinar um papel e ir embora, porque aqui tem cadeira elétrica!"

Apesar disso tudo, o show teve João Gilberto, Carlos Lyra, Tom Jobim, Roberto Menescal, Sérgio Mendes, Luis Bonfá e Agostinho dos Santos, sendo que esses dois últimos foram os mais aplaudidos, pois já eram celebridades nos EUA. A grande ausência foi João Donato, porque só o convidaram na véspera. Ele disse: "Perá aí. Aqui não é a casa da mãe Joana. Se me avisassem com uma semana de antecedência”. O João Gilberto ligou pra ele e disse para ele ir para o aeroporto que tinha uma passagem esperando. Não deu. E eles pensaram muito antes de fazer o show em Nova York. Como ele não estava incluído, não foi. Eles podiam ter lembrado. Faltaram inclui-lo na lista mesmo. Entrou o lado político também. Segundo alguns, ele não deveria ter recusado o convite, deveria ter largado tudo e comparecido.
O disco do show se chamou BOSSA NOVA AT CARNEGIE HALL e as músicas eram Samba de uma nota só, instrumental com Sérgio Mendes, Bossa Nova York, com o Bola Sete, a Carmem Costa e José Paulo, Zelão, cantada por Sérgio Ricardo, o autor da música, Não faz assim, do Oscar Castro Neves, interpretada pelo seu quarteto, Influência do Jazz, com o Carlos Lyra, que foi uma música de protesto, feita porque a Bossa Nova estava ficando cada vez mais parecida com o Jazz, Manhã de Carnaval, tendo uma raridade: Luís Bonfá cantando, depois teve outra vez Manhã de Carnaval, agora cantada pelo Agostinho dos Santos, com Luís Bonfá no violão e o quarteto do Oscar Castro Neves, foi a mais aplaudida de todas, A Felicidade, também cantada pelo Agostinho dos Santos, com Luis Bonfá no violão e o quarteto do Oscar Castro Neves, Outra Vez, com João Gilberto cantando e o Tom Jobim e o Milton Banana no piano, também foi muito aplaudida, outra versão de Influência do Jazz, também cantada pelo Carlos Lyra, mas com a companhia do quarteto do Oscar Castro Neves, outra versão de Bossa Nova York, com o quarteto do Oscar Castro Neves junto com Caetano Zama, o autor da música, depois, Roberto Menescal, estreando como cantor, cantando a sua música O Barquinho e no final mais duas músicas interpretadas pelo quarteto do Oscar Castro Neves: Amor no Samba e Passarinho.
A TV Bandeirantes de São Paulo (canal 13) entrou no ar no dia 13 de maio de 1967, um sábado de temperatura amena na capital paulista. Um discurso de João Saad, seguido de show dos cantores Agostinho dos Santos e Cláudia, abriram as transmissões. Também presentes à solenidade, o presidente Costa e Silva, o governador de São Paulo Abreu Sodré, o prefeito Faria Lima, ministros e secretários de Estado. Em frente à emissora foram montados um parque infantil e um circo gratuito para famílias de menor poder aquisitivo. Durante dois dias houve gincanas e brincadeiras, com distribuição de brindes comemorativos. Com base no que havia feito no rádio, João Saad ressaltou que a programação da tevê seria a melhor possível, não demasiadamente clássica, pois o povo pedia algo mais simples. Teria como base jornalismo, esporte e entretenimento, como filmes, programas de auditório e musicais. O canal 13 entrou no ar sem intervalos entre os programas, e a separação das atrações era feita com a exibição do “coelho bandeirante”, mascote da nova emissora.
Mas, o grande sucesso de audiência da RECORD, marco na história da televisão brasileira, aconteceu em 1965: "O Fino da Bossa", apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues, que trouxe para o cenário musical novos talentos como Chico Buarque de Holanda, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Zimbo Trio e Maria Bethânia, além dos já consagrados Agostinho dos Santos, Nara Leão, Vinicius de Moraes, Baden Powel e Maysa. Depois veio "Bossaudade", apresentado por Elizete Cardoso e Ciro Monteiro. Roberto Carlos já estava nas paradas e foi convidado para apresentar o programa "Jovem Guarda".
No Natal de 72, Donato deu uma passada no Rio e foi até a casa do compositor Marcos Valle. Quem também apareceu por lá foi o cantor Agostinho dos Santos, que sugeriu a Donato letrar suas criações instrumentais. Foi a senha para que os irresistíveis temas de Donato ganhassem contornos de canção popular. Valle aproveitou para convida-lo a gravar um novo disco no Brasil, com o repertório formado a partir deste novo cancioneiro. João estava de volta, absolutamente reinventado.

Donato conta como foi à jornalista Lia Baron: “Eu ia gravar instrumental dentro de alguns dias e o Agostinho dos Santos falou: ‘Vai gravar tocando piano de novo? Todo mundo já ouviu isso. Se fosse você, eu gravaria cantando”. Atendida a sugestão, Donato deixa de ser integrante exclusivo da seara instrumental e entra para a MPB. Além de Gil, Martinho e Lysias, Chico Buarque, Caetano Veloso, Cazuza, Arnaldo Antunes, Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro, Ronaldo Bastos, Abel Silva, Geraldo Carneiro e até o poeta Haroldo de Campos e o fonoaudiólogo e escritor Pedro Bloch tornaram-se parceiros de João. No Natal de 72, Donato deu uma passada no Rio e foi até a casa do compositor Marcos Valle. Quem também apareceu por lá foi o cantor Agostinho dos Santos, que sugeriu a Donato letrar suas criações instrumentais. Foi a senha para que os irresistíveis temas de Donato ganhassem contornos de canção popular. Valle aproveitou para convida-lo a gravar um novo disco no Brasil, com o repertório formado a partir deste novo cancioneiro. João estava de volta, absolutamente reinventado.

No Natal de 72, Donato deu uma passada no Rio e foi até a casa do compositor Marcos Valle. Quem também apareceu por lá foi o cantor Agostinho dos Santos, que sugeriu a Donato letrar suas criações instrumentais. Foi a senha para que os irresistíveis temas de Donato ganhassem contornos de canção popular. Valle aproveitou para convida-lo a gravar um novo disco no Brasil, com o repertório formado a partir deste novo cancioneiro. João estava de volta, absolutamente reinventado.

Donato conta como foi à jornalista Lia Baron: “Eu ia gravar instrumental dentro de alguns dias e o Agostinho dos Santos falou: ‘Vai gravar tocando piano de novo? Todo mundo já ouviu isso. Se fosse você, eu gravaria cantando”. Atendida a sugestão, Donato deixa de ser integrante exclusivo da seara instrumental e entra para a MPB. Além de Gil, Martinho e Lysias, Chico Buarque, Caetano Veloso, Cazuza, Arnaldo Antunes, Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro, Ronaldo Bastos, Abel Silva, Geraldo Carneiro e até o poeta Haroldo de Campos e o fonoaudiólogo e escritor Pedro Bloch tornaram-se parceiros de João.