quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Belchior e Fagner - Aguapé (vídeo e letra)

Capineiro de meu pai
Não me cortes meus cabelos.
Minha mãe me penteou;
Minha madrasta me enterrou,
Pelo figo da figueira
Que o passarim beslicou.
"Companheiro que passas pela estrada,
Seguindo pelo rumo do sertão
Quando vires a cruz(a casa) abandonada,
Deixa-a em paz dormir na solidão".
"Que vale o ramo do alecrim cheiroso
Que lhe atiras nos braços (no seio) ao passar?
Vais espantar o bando buliçoso
Das borboletas, (mariposas) que, lá vão pousar.
Esta casa não tem lá fora;
A casa não tem lá dentro
Três cadeiras de madeira,
Uma sala, a mesa ao centro.
Rio aberto, barco solto,
Pau-d'arco florindo à porta,
Sob o qual, ainda há pouco,
Eu enterrei a filha morta.
Ad flumina babylonis, illic sedimus et flevimus,
Sob o qual, ainda há pouco,
Cum recordaremur sion
Eu enterrei a filha morta.
In salicibus terrae illius
Suspendimus citharas nostras.
Aqui os mortos são bons,
Nam ílllic, qui abduxerunt nos, rogaverunt a novis cantica...
Pois não atrapalham nada;
Et qui affligebant nos, laetitiam:
Pois não comem o pão dos vivos,
"Cantate nobis
Nem ocupam lugar na estrada...
Ex canticis sion!
"Pois não comem o pão dos vivos,
Quomodo cantabimus canticum domini
Nem ocupam lugar na estrada.
In terra aliena?
Si oblitus erro tui, ierusalem,
Oblibioinni detur dextera mas!

Naaada,naaada..
A velha sentada,o ruido da renda
A menina sentada roendo a merenda....
A velha sentada,o ruido da renda
A menina sentada roendo a merenda...
Nada, nada.
Nada, nada, nada, nada
Aqui não acontece nada, não.
Nada.
Naaaada, nada,
Nada, absolutamente nada....
E o aguapé, lá na lagoa,
Sobre a água nada
E deixa a borda da canoa
Perfumada.
É a chaminé à toa
De uma fábrica, montada
Sob a água, que fabrica
Este ar puro da alvorada dadada
Nada, nada.
Nada, nada, nada, nada
Aqui não acontece nada, não.
Naaaada, nada,
Nada, absolutamente nada....