sábado, 16 de maio de 2015

Murilo Antunes (Poeta e Compositor)

Com exatos 60 anos de vida, o compositor Murilo Antunes fez música para uma vida inteira. São cerca de 300 letras, ele calcula. Fazendo as contas, é como se houvesse cinco composições para cada ano vivido. Coincidentemente, "Como se a Vida Fosse Música" é o nome que Murilo usou para batizar o projeto que vai arrematar essa trajetória. Em março de 2012, devem ser lançados um documentário que revê sua história, um CD e um livro de poesias. "Não tenho registro dessas obras juntas, elas estão espalhadas nos discos dos outros. Queria um lugar para as pessoas observarem a unidade da minha criação. Acho que agora tenho maturidade para realizar isso. Sei lá se vou chegar lá na frente?", brinca Murilo, que sabe como os rumos da vida podem ser imprevisíveis.

Dividido entre Pedra Azul, sua cidade natal, e Montes Claros, para onde se mudou depois de crescido, Murilo já era embalado pelas vozes de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro e acompanhava amigos em serenatas, mas atuava mesmo era nos gramados. Em Montes Claros, foi jogador do Ateneu e do Casimiro de Abreu. Já morando na capital, trabalhava como bancário quando recebeu uma intimação do amigo e também compositor Sirlan.
"Ele me mostrou uma música e pediu pra eu fazer a letra. Eu não queria, mas ele insistiu, disse que eu era uma pessoa musical", conta. Da insistência nasceu "Super-Herói", primeira composição, seguida de "Viva Zapátria", concorrente do Festival Internacional da Canção de 1972, e, naturalmente, outras dezenas se seguiram.

No meio desse caminho, testemunhou a história da música mineira quando participou da primeira audição do disco "Clube da Esquina", sentado no chão da sala da casa dos irmãos Borges, em Santa Tereza. "Acho que duas palavras definem aquele momento: arrepio e lágrimas. Percebi a originalidade daquilo". O futebol não ficou para trás nessa história. Atleticano "doente", Murilo disputou muitas peladas "culturais" e chegou a dividir o campo com Chico Buarque e MBP4.
Filho de tropeiro, com a festividade das marujadas e o cheiro do pequi na memória, também não deixou para trás seu berço. "Minhas inspirações vêm do norte de Minas. Saí da minha terra, mas ela não saiu de mim".