domingo, 29 de outubro de 2017

Bruna Caram (BIOGRAFIA)

Bruna Caram nasceu em Avaré/SP, no dia 26 de julho. Bruna tem mais de 10 anos de estrada. Fez parte dos Trovadores Mirins e depois dos Trovadores Urbanos. Segundo a cantora Bruna: "Os Trovadores Urbanos são um grupo maravilhoso de serenatas que existe há mais de quinze anos, cantando principalmente
aqui em São Paulo."

Bruna teve o privilégio de vê-los nascer – ou melhor, eles tiveram o “privilégio” de ver a Bruna nascer, porque a criadora dos Trovadores, Maída Novaes, é sua tia, assim como os outros três seresteiros da formação original do grupo. E o que aconteceu foi que a Bruna e os seus primos (que não são poucos!) logo começaram a querer entrar também nessa vida de seresteiros.

" ...a gente assistia aos adultos indo cantar na rua e na televisão e achávamos o máximo, aí começamos a insistir para que a Maída criasse também um grupo infantil. Eis que surgiram os Trovadores Mirins: um grupo de serenatas de crianças para crianças. Eu tinha 9 anos quando comecei a cantar com eles e continuei pelos dez anos seguintes (aos 15 entrei nos Trovadores Urbanos), e acredito que não poderia ter havido melhor escola para mim."

O convívio com os músicos, o improviso, a emoção, as surpresas (porque as serenatas, além de serem para desconhecidos, são normalmente surpresa, e isso traz muitos imprevistos), adquirir jogo de cintura, perder a vergonha (Bruna diz que ela era timidíssima quando criança), enfim, muitas coisas importantíssimas que até hoje a Bruna diz usar muito pra cantar.

Quanto ao repertório, a Bruna diz que ela não interferia, mesmo porque os Trovadores trabalham com muitos repertórios, desde os básicos de MPB até específicos, como em inglês, italiano e espanhol, e temáticos como repertório de natal, de mães, de reconciliação, de despedida... Também foi nos Trovadores que ela desenvolveu a agilidade em decorar músicas, porque muitas vezes havia músicas especiais nas serenatas, que seria apresentada apenas naquela ocasião.

Sobre a influência musical que a Bruna recebeu, ela diz: "Pois é, não eram só os tios e primos que tinham essa veia musical, ela é anterior. Minha avó materna, Maria Piedade (ou Margarida), era cantora de rádio nos anos 50, e meu avô paterno, Jamil Caram, é um talentosíssimo violonista (7 cordas), que promove desde sempre as mais incríveis rodas de choro que se possa imaginar. Foi nesse meio extremamente musical que eu cresci: sempre todos cantando, tocando piano e violão, a roda de choro no quintal o dia inteiro, inclusive eu só fui descobrir que nem todas as casas tinham piano na sala quase na adolescência".

E a Bruna completa: "A casa da minha avó em Avaré (onde nasci, embora nunca tenha morado lá) era uma escola de música quando eu era criança, a gente brincava de experimentar o piano de cada sala, fazia competição de música, enfim, minhas brincadeiras de criança com meus primos eram assim".

Quanto à faculdade, Bruna diz que o que mais contribui, na verdade, foi o convívio com músicos e outros artistas. Bruna lembra: "a Unesp de São Paulo é o Instituto de Artes, além de me revelar e ensinar um lado que eu não conhecia ao estudar piano e canto: harmonia, percepção, história. É difícil de conciliar com a carreira, ainda mais com todos os problemas que há na universidade pública especialmente no Brasil (desorganização, falta de professor, etc.), mas no ano que vem (2008) termino o curso e tenho mais tempo pra cuidar só do trabalho".

O CD "Essa Menina" surgiu de um convite do compositor Otávio Toledo (compositor-advogado que compunha desde os anos 70 e ainda não tinha sido gravado), pois ele reencontrou algumas composições de há tempos e isso o inspirou não só a gravá-las como a continuar compondo.

Enfim, a idéia era lançar um novo compositor e uma nova intérprete num CD só. A intérprete convidada não foi a Bruna, foi a Lucila Novaes, uma cantora brilhante que me dava aulas de canto (tia da Bruna). Ela não pode participar do projeto e indicou a Bruna –deu o seu CD demo para o Otávio, que levou o material para o produtor musical do CD "Essa Menina", o Alexandre Fontanetti. Eles ouviram, gostaram e telefonaram pra Bruna convidando-a para ir ao estúdio conhece-los e conhecer o projeto.

No estúdio Bruna ouviu as músicas (eram vinte a princípio), gostou e topou "mergulhar" no projeto. Confirme a Bruna explica: "... digo mergulhar porque a partir daí tocamos como um projeto de ambos, afinal, era o primeiro CD de nós dois. Trabalhamos juntos durante toda a produção do disco, durante toda a concepção dos arranjos e as gravações de cada instrumento. E nasceu o CD Essa Menina, inclusive com músicas da época das gravações, como Cavaleiro Andaluz e Estrada de Nós Dois".

Sobre este trabalho Bruna Caram avalia: "Existe uma coisa muito linda em gravar músicas inéditas que eu só descobri depois do disco ter sido lançado: se as pessoas cantam junto, é porque elas aprenderam ao te escutar. Se eu estou num lugar, toca uma música minha na rádio, e eu vejo as pessoas cantarolando juntas, não há dúvida: elas conhecem a música na minha voz. Nos shows, ver as pessoas fazendo coro é uma emoção quase inacreditável."

Bruna diz que se surpreende nos shows com a escolha das músicas preferidas pelo público, porque primeiro teve o sucesso de 'Palavras do Coração', que tocou muito nas rádios de todo Brasil e também ganhou clipe, além de ser uma das minhas preferidas do disco, mas agora há outras que as pessoas cantam junto no show, dentre elas "Sensação", ( sua preferida desde a primeira vez que a ouvi, mas que nunca tocou na rádio!, pelo menos não aqui em São Paulo). E Bruna se questiona: "Como as pessoas aprenderam? Aprenderam porque têm o CD e gostam: e sabem, cantam, se identificam".

Em entrevista a Geração Supernova questionada sobre quais os “momentos midiáticos” mais importantes na divulgação do seu trabalho até agora? Bruna respondeu:
"Estivemos esse ano (2007) no "Todo Seu", do Ronnie Von, no Amaury Jr., no "Charme" com Adriane Galisteu, no "Fala+joga" na Play TV, e nas emissoras de rádio estamos todos os dias. Temos também o clip de
"Palavras do Coração" disponível no Youtube, e estamos com novos clips no forno".

Bruna já se apresentou em São Paulo no Ao Vivo Music uma vez por mês; no Tom Jazz, onde foi o show de lançamento do CD Essa Menina; no Studio SP, na Modern Sound do Rio de Janeiro, no Sesc Araraquara, em várias Fnacs, inclusive Campinas. Bruna diz que recebe muitos e-mails de Brasília, de Curitiba, Belo Horizonte, Recife e Salvador, um público que ela precisa e quer muito atender.

Bruna Caram diz que suas referências são: Billie Holiday, Lokua Kanza, Pedro Luís e a Parede, Mônica Salmaso, Angèlique Ionatos, Camille, Chet Baker, Céu e Dorival Caymmi, esses são os CDs que ela tem no carro: uma mistura total.

Também há coisas que ela escuta só por estudo - pois gosta de estudar cantoras e estudar o que cada uma faz. Em sua formação musical foi ouvindo só e somente MPB: Chico Buarque, Tom Jobim, Caetano Veloso, Dori Caymmi e Gilberto Gil, etc. - por incrível que pareça, até seus 18 anos a única coisa que ela conhecia e ouvia de fora do Brasil era The Beatles. Nessa idade comecei a ouvir jazz, Ella Fizgerald, Billie Holiday, Wynton Marsalis, e depois, por causa da faculdade, começou a ouvir música erudita. E cada vez mais foi conhecendo músicos e descobrindo quanta música há que ela não conheço e deveria.

Como cantora, Bruna diz que sua referência maior é Elis Regina, e de fora, Ella, Billie e Edith Piaf, das clássicas; dentre as novas, muitas, dentre elas Mariana Aydar, Tati Parra, Luciana Alves, Giana Viscardi.

Bruna já dividiu o palco com Giana Viscardi, Luciana Alves e Ana Paula Lopes, num show no Bourbon Street chamado As Novas Divas da MPB. Dividiu muitas cantorias em roda de choro com a Dona Inah, uma das maiores cantoras de samba de São Paulo, que é sua amiga do coração, praticamente da família. Também com a Verônica Ferriani, num show dela no Sesc Pompéia.

Bruna diz que se pudesse escolher um só para dividir o palco com ela hoje, acha que seria o Millton Nascimento. Bruna considera que a importância de seu trabalho está em ele ser universal, sincero e intenso. Por sinal, aspectos que segundo ela não têm nada de exatamente musical. Acontece que para ela é isso que a música deve ser: a maneira mais fácil de tocar as pessoas, de homenagear, emocionar, reunir, rir, chorar - foi assim que ela aprendeu em casa e na rua, e foi assim que aprendi com seus avós e com seu bisavô (lembra dele explicando a letra de uma música e a vontade que isso lhe dava de chorar de repente). 

Para Bruna a música é só uma maneira de ser muito, muito humana – "ter muitas paixões e tristezas, e arranca-las, e compartilhar. É a maneira que há de sofrer se sentindo bem. É a maneira que as pessoas têm de comunicar o que não sabem dizer. É só essa sinceridade e intensidade que eu quero sempre trazer para quem quer que ouvir".

Seu segundo álbum lançado em julho/2009 traz uma gostosa gargalhada sobre os prédios da cinzenta metrópole de São Paulo. É assim a capa deste "Feriado Pessoal", segundo disco da cantora Bruna Caram, dona de uma das vozes mais bonitas da nova geração da MPB.

Nascida em Avaré e paulistana de criação, Bruna se uniu aos seus compositores favoritos na produção deste álbum, que representa uma continuação natural e mais madura de seu álbum de estreia, Essa Menina. "A maior diferença entre os dois discos é a pegada do Feriado Pessoal", explica a cantora. "O primeiro disco é muito mais suave que esse. Eu queria que não tivesse nenhuma música para ser pulada e que não fosse muito longo. A capa mostra bem esse estado de espírito."

Estado de espírito que pode ser sentido com o rodar do CD, já que o repertório passeia entre obras da nova geração de compositores paulistas, passando por um clássico de Caetano Veloso imortalizado por Cássia Éller, um sucesso de Guilherme Arantes e uma versão do imortal Clube Da Esquina.

"As regravações foram bem fáceis de escolher. Por exemplo, eu sempre quis gravar essa música do Lô Borges (Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor) e aceitei na hora a sugestão de gravar uma do Caetano (Gatas Extraordinárias). Quebramos mesmo a cabeça para escolher as inéditas mais gostosas de ouvir", revela a perfeccionista Bruna.