terça-feira, 17 de outubro de 2017

Francis Hime

Compositor, cantor, pianista, arranjador e maestro.

Representando a melhor geração de compositores que apareceu no Brasil desde o final dos anos 20 (quando o jovem Noel Rosa, Ary Barroso, Lamartine Babo, João de Barro, Ismael Silva e tantos outros fizeram sua estréia), Francis Hime assumiu o papel como um dos principais protagonistas da música popular brasileira após a primeira metade dos anos 60. Seria impossível escrever a história da nossa música nas últimas décadas sem destacar Francis Hime de forma muito especial. No mapa da MPB, todos os afluentes circulam para o talento do estuário de Francis Hime.
Tom Jobim é um piano, Caymmi, um violão, Vinicius, uma caneta, Noel, um terno branco. Se usarmos a analogia, Francis Hime é uma orquestra. Uma orquestra sinfônica. Não é uma orquestra regular, baseada exclusivamente em cordas, madeira e laços, mas uma rica formação de metais honky-tonk, cavaquinhos e tambores de samba. Se a música do Rio é uma fusão - todos os sons do Brasil fluindo juntos para um estuário onde eles se misturam e ganham ritmo e densidade - Francisco é essa mesma fusão. A todos esses ritmos brasileiros, Francisco empresta seu refinamento inspirado e empresta beleza e vitalidade. Estas não são palavras vazias: Francis Hime (agora que Villa-Lobos, Radamés Gnatalli, Tom Jobim e Luizinho Eça não estão entre nós) é compositor com controle de habilidades que permite vôos de criação.

Francis Hime estudou piano desde os seis anos de idade no Conservatório Brasileiro de Música. Em 1963 começa sua parceria com Vinicius de Moraes, com quem compôs inúmeras canções como: "Sem mais adeus," Anoiteceu "," A dor a mais ", Teresa sabe sambar" e outros. Naquela época, começa também a compor com as músicas de Ruy Guerra como "Minha" (gravada por Elis Regina, Tony Bennet, Bill Evans e muitos outros) "Último canto", "Por um amor maior" e outros. Participou de vários festivais de música popular nos anos sessenta, quando suas canções foram cantadas por Elis Regina, Roberto Carlos, Jair Rodrigues, MPB-4 e outros.

Em 1969 foi para os Estados Unidos, onde passou quatro anos estudando composição, orquestração e rastreamento de filmes com Lalo Schifrin, David Raksin, Paul Glass, Albert Harris e Hugo Friedhopfer.
Bach no Rio, em 1973, gravou seu primeiro álbum da Odeon Records. Naquele momento, sempre fazendo a música, ele começa a compor com Chico Buarque, grandes sucessos como "Atrás da porta", "Trocando em miudos", "Meu caro amigo", "Pivete", "Passaredo", "Amor Barato" "A noiva da cidade", "Embarcação", "Vai passar".

Em 1973, começa a marcar filmes como "A Estrela sobe", "Dona Flor e seus dois maridos", ambos dirigidos por Bruno Barreto, "O homem célebre", "Republica dos assassinos", ambos dirigidos por Miguel Faria, "A noiva" da cidade ", de Alex Vianny, Marilia e Marina, de Luis Fernando Goulart," O homem que envia o mundo ", de Eduardo Coutinho, Marcados para viver", de Maria do Rosário, "Lição de amor", de Eduardo Escorel. Duas dessas pontuações foram premiadas no festival de cinema de Gramado e "Coruja de Ouro" para melhor pontuação do ano.

Para o teatro, ele escreveu partituras para: "Dura lex sed lex no cabelo só gumex" (Oduvaldo Viana Filho), "O rei de Ramos" (Dias Gomes), "A menina eo vento" (Maria Clara Machado), "Belas figuras "(Ziraldo)," Foi bom, meu bem "(Alberto Abreu)," O banquete "(Mario de Andrade)," Pinoquio "(A. Collodi)," Ta ruço no açougue "(grupo" Tem folga na direção ")," Na sauna "(Nell Dunn) e" Love letters "(AR Gurney). Conhecido como um dos compositores mais talentosos do Brasil, Francisco é especialmente dotado de sua versatilidade nos vários ritmos brasileiros, também escrevendo sambas, frevos, modinhas, calangos, coros, etc. ... Para o seu "repertório" eclético, Francis tem um não menos grupo de parceiros eclético e talentoso escrevendo letras para suas músicas, como Geraldo Carneiro, Milton Nascimento, Olivia Hime, Gilberto Gil, Paulo Cesar Pinheiro, Cacaso, Capinan, Adriana Calcanhotto, Paulinho da Viola, Lenine, Joyce, Moraes Moreira, Georges Moustaki , Livingston e Evans, Sergio Bardotti (além do já mencionado Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Ruy Guerra). Ele também escreveu música para poemas de Fernando Pessoa, Manoel Bandeira, Castro Alves.

Como arranjador, Francisco trabalhou para: Milton Nascimento, Gilberto Gil, Gal Costa, Georges Moustaki, Caetano Veloso, Clara Nunes, Toquinho, Elba Ramalho, Vania Bastos, Fafá de Belém, Olívia Hime, MPB 4 e Chico Buarque (a quem, ele fez a direção musical de quatro albuns).
Como compositor, ele tem músicas gravadas por Elis Regina, Chico Buarque, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Ivan Lins, Djavan, Tony Bennett, Bill Evans, Kenny Burrel, Lany Hall, João Bosco, Lenine, Beth Carvalho, Nara Leão, Elizete Cardoso, Ângela Maria, Luiz Eça, Toquinho, Zélia Duncan, Olivia Hime, Daniela Mercury, Simone, Nana Caymmi, Wanda Sá, Joyce, Adriana Calcanhotto, Paulinho da Viola, Fafá de Belém, MPB 4, Georges Moustaki.

Desde os anos oitenta, Francisco começou a escrever composições clássicas.
Em 1986, escreveu sua sinfonia n ° 1, realizada em São Paulo e Campinas, pela Orquestra Sinfônica de Campinas, conduzida por Benito Juarez e em Recife pela Orquestra Sinfônica de Pernambuco, conduzida por Osman Gióia. Francis, ele próprio conduziu a OSB (Orquestra Sinfônica Brasileira) em 1993, realizando essa sinfonia.
Em 1988, Francisco escreveu "Carnavais para coral e orquestra" sobre um poema especialmente escrito por Geraldo Carneiro, realizado com a Orquestra Sinfônica de Campinas e CORALUSP, conduzido por Benito Juarez.
Em 1997, Francis escreveu a pontuação sinfónica de "Terra Encantada".