sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Letuce (banda)

E Letuce irrompe na arena. Amazona de proporções totêmicas, Letícia Novaes finca as longas pernas no piso, agarra com as duas mãos o microfone/lança, vira o rosto pro partner Lucas Vasconcellos que carrega nos ombros e nas mãos o peso daquela que é para Patti Smith a única arma de revolução, “this is the only weapon we need to revolution! An electric guitar” gritou ela num palco carioca. Letícia estava lá e escutou e disse glória! Letícia é atriz e rockeira-bluseira-bacante. Lucas é guitarrista e maestro e investigador inquieto. Os dois, carametades, se somam a comparsas de altíssimo nível para um desfile de canções-jóias diversas, de quem saca além da tropicália, transa Dalva de Oliveira e Courtney Love, galopa de cavalinho azul pelo Leblon todo aceso da Marina, e pela Tijuca swingada dos erasmos, jorges e afins: sem pastiche, mas com pistache. Letuce quer gozar, mas Letuce não quer só prazer, Letuce quer prazer mas quer revolução, e isso não é punk demodê, nem teenager, nem ingENUO- ainda que possa ser tudo isso – é o gesto generoso. O show é mais que um happening, cada glitter nos olhos, cada imagem projetada na banda, cada serpente cintilante de luz enroscada nos pedestais de microfone, cada verso safado em francês, cada verso embriagado de amor, cada nota dissonante do coro dos contentes é parte de um espetáculo maior que e é total, porque “cada parte é um todo”.