sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Eduardo Gudin (BIOGRAFIA)

O cantor e compositor Eduardo Gudin nasceu em São Paulo SP em 14/10/1950. Eduardo iniciou a carreira como solista de violão, aos 16 anos, convidado por Elis Regina para participar do programa O Fino da Bossa na TV Record.

Em 1968, participou do Festival de Música Popular junto com os maiores nomes da época tais como Chico Buarque, Edu Lobo e Caetano Veloso.

Em 1970 gravou seu primeiro disco, iniciando sua parceria com Paulo César Pinheiro, com quem compôs aproximadamente 80 músicas. Tem cerca de 300 composições gravadas e editadas.

"Linhas tortas na palma da mão,
Dão trilha certa no fim,
Torto, o meu samba se escreve assim".

Estes três versos iniciam o álbum que comemora 40 anos de samba de Eduardo Gudin, uma das principais referências do samba paulista. O álbum foi intitulado
“Um jeito de fazer samba”.

O violonista, cantor, compositor e arranjador já trabalhou com: Paulinho da Viola, Paulo Cesar Pinheiro, Mônica Salmaso, Francis Hime, sua ex-esposa Vânia Bastos dentre outros.

Eduardo Gudin sempre esteve presente nos discos de Leila Pinheiro, e a cantora tornou-se uma de suas principais intérpretes nas décadas de 80 ("Pra iluminar", "Tambor" e "Paulista"), 90 (o samba "Ainda Mais", parceria de Gudin com Paulinho da Viola), e em 2005, no selo Biscoito Fino, com a gravação do samba "O Amor e Eu".

Gudin marcou seu lado letrista (em canções como "Obrigado", e os sambas "Praça 14 Bis" e "Vida Dá"), autor de canções ("Luzes da Mesma Luz", em parceria com Sérgio Natureza), além dos clássicos em parceria com Paulo Vanzolini ("Mente"), Paulinho da Viola ("Ainda Mais" e "Sempre se pode sonhar"), Paulo César Pinheiro ("Mordaça", "Chorei", "Maior é Deus"), e os clássicos
"Verde" e "Paulista", inesquecíveis parcerias gravadas por Leila Pinheiro.

Em 2005 Eduardo Gudin lança "Pra Tirar o Chapéu" gravado com seu grupo Notícias Dum Brasil. Escolhido o melhor disco do ano pelo júri do Prêmio Movimento de Música.

Gudin expressa uma certa felicidade mesclada à melancolia, porque suas canções são acompanhadas de uma tristeza, um amor distante, um clima sério, não deixando de ser poético. A levada bossa nova de seu violão lembra um pouco o ritmo carioca, porém, o conjunto não engana, e o músico sempre resgata sua tradição de samba paulista – sobretudo paulistano.

A bela canção “Sempre se pode sonhar”, em parceira com Paulinho da Viola, inicia com “Saí, antes do dia amanhecer, deixei Adoniran me consolar”, faz referência a Adoniran Barbosa.

Entre suas mais famosas canções, está “Paulista”, um retrato da Avenida Paulista no centro de São Paulo, como em “Se a avenida exilou seus casarões, quem reconstruiria
nossas ilusões” e, com uma leveza poética que poucos compositores conseguem: “Você sabe quantas noites eu te procurei nessas ruas onde andei? Conta onde passeia esse seu olhar, quantas fronteiras ele já cruzou no mundo inteiro de uma só cidade.” Cariocas e baianos, me desculpem, mas nós também sabemos fazer música...

Outra canção mais popular é “Mordaça”, que foi composta na época do regime militar em protesto à repressão: “E a felicidade amordace essa dor secular, pois tudo no fundo é tão singular, é resistir ao inexorável, o coração fica insuportável e pode em vida imortalizar”, com o seu refrão bem sugestivo: “Mas só se a vida fluir sem se opor, mas só se o tempo seguir sem se impor, mas só se for seja lá como for, o importante é que a nossa emoção sobreviva.”

Um ponto comum das músicas do Gudin é a base do seu violão, que serve como um acompanhamento, junto com uma percussão consistente e vozes essencialmente, em coros afinados que parecem deslizar sobre a melodia. No geral, começa uma música e depois passa a bola para as cantoras, que continuam em conjunto com a voz dele, como se fossem dois planos diferentes.