domingo, 17 de dezembro de 2017

Trilha sonora do filme "Chico Rei".

Esse disco é a trilha sonora de um filme que conta uma lenda (que é considerada lenda porque parece que não existem documentos que comprovem sua veracidade) muito interessante do estado de Minas Gerais. Chico Rei era a alcunha de um negro congolês, cujo nome de batismo cristão seria Francisco da Natividade, Franscisco Lisboa da Anunciação ou Francisco Lázaro. Ele foi trazido do congo para o Brasil e levado para Minas Gerais, onde foi forçado a trabalhar na mineração do ouro. Com trabalho e esforço braçal, ele conseguiu dinheiro suficiente para comprar sua liberdade. Fala-se também que ele comprou, de seu ex-senhor, uma mina de ouro, chamada Mina da Encardideira, que hoje, em Ouro Preto, pode ser visitada pelos turistas, e tem o nome de Mina do Chico Rei. Em meio a tanta prosperidade, conseguiu comprar a liberdade e alforriar vários outros negros cativos. Chico Rei, então, fundou um reino, que durou muitos anos em Minas Gerais. Pelos atos heróicos, foi coroado, então, o primeiro Rei Congo no Brasil. Segundo contam, foi autorizado a promover a primeira festa do congado, em homenagem às entidades protetoras dos africanos e de seus descendentes. A lenda do Chico Rei explica, portanto, a origem do congado, e, mesmo que não seja verdadeira, é parte importante do patrimônio histórico ligado à música brasileira, notadamente a de Minas Gerais.
O filme, lançado na década de 80, foi dirigido por Walter Lima Jr., e a trilha sonora composta e arranjada por Wagner Tiso e co-autoria do Grupo Vissungo responsável pela pesquisa, composição e tratamento da música tradicional africana. Contou com participações de Milton Nascimento, Clementina de Jesus, entre outros. O disco exibe sonoridades distintas: tem a crueza complexa dos ritmos afro-brasileiros, em que apenas percussão e voz se apresentam (nesses casos, a voz única de Clementina de Jesus é perfeita para trazer os ares africanos ao Brasil); tem também o ambiente sonoro das igrejas mineiras, em músicas como Chegada a Ouro Preto, em que predomina o som do órgão. Não faltam também sambas, que representam a alegria e o vigor das comunidades negras. E, por fim, tem canções que remetem à música mineira mais recente, cujas lindas melodias, cantadas por Milton Nascimento, não levam nosso pensamento a nenhum outro lugar, senão Minas Gerais (como na primeira faixa, Santa Efigênia). O filme recebeu dois importantes prêmios internacionais: Cartagena na Colômbia e Ghent na Bélgica.
Lado A
1- Santa Efigênia (Milton Nascimento)
2- Quilombo do Dumbá (Clementina de Jesus)
3- Ulelelê (Samuka e coro)
4- Andambi (Samuka, Espírito Santo e Laércio / Adaptação Grupo Vissungo)
5- Samba de roda (Samuka e coro)
6- Chico reina (Clementina de Jesus, introdução Espírito Santo e coro)
Lado B
1- Saudade do Congo (Espírito Santo e coro)
2- Kanjonjo (Espírito Santo e Samuka / adaptação Grupo Vissungo)
3- Niangas (Grupo Vissungo)
4- Título/ Njara/ Depois da castração (Espírito Santo, Wagner Tiso)
5- Chegada a Ouro Preto/ Boite/ Quarto de Quincas/ Fechamento da peça (Wagner Tiso)
6- Chico Rei (Milton Nascimento)